A Yamaha saberá ser agressiva?

Depois da Ducati, Honda e Suzuki, agora foi a vez da marca dos diapasões revelar, em Jakarta, na Indonésia, o seu esquema de cores e estrutura para 2019, causando grande entusiasmo. O tema do evento de lançamento “Beast Mode On” ecoa o novo acordo de patrocínio entre a Yamaha e a Monster Energy, bem como a mentalidade da equipe antes do teste oficial da pré-temporada de 2019.

A equipe partilhou na apresentação a sua excitação em começar um novo capítulo, comentando a dedicação de todos para os preparativos de 2019 e a nova estrutura da Yamaha, com Hiroshi Itou a juntar-se recentemente à Divisão de Desenvolvimento de Motorsport, e Takahiro Sumi como novo Líder do Grupo de MotoGP. Durante a apresentação, K. Tsuji (CEO Yamaha) explicou como o termo “agressividade” se traduz na prática: “Significa ampliar os limites, tendo maior colaboração entre os vários departamentos. Para a Yamaha é uma grande revolução. Pela declaração do presidente pode-se concluir que os departamentos de desenvolvimento da M1 aparentemente não conversavam entre si, prática habitual na Ducati e na Honda.

Em conformidade com a Suzuki – as duas usam quatro cilindros em linha – a Yamaha é uma companhia de pequenos passos, onde a palavra evolução é mais importante que revolução. Pelas palavras do CEO não esperem a curto prazo a troca do motor quatro cilindros em linha por um V4, como fez a Honda no passado. As mudanças na alta cúpula da Yamaha ocorreram devido aos resultados ruins dos últimos três anos.

Lin Jarvis – diretor da equipe – sublinhou: “Se começarmos bem a pré-temporada, acho que será um bom ano”. Ele reconhece os erros do passado – “2018 foi difícil para nós porque esperávamos estar em um nível melhor. Tendo passado por tudo isso nos fortalece para o futuro. Não haverá nada radicalmente diferente do que vimos em Valência”. Lin Jarvis sabe que está há três anos sem vencer um campeonato. Isso ocorreu no passado, entre 1993 e 2003, quando a Honda venceu sem parar. E as evidências para o lado da Honda revelam que esse ano não será muito diferente dos anteriores. O primeiro teste da pré-temporada em Sepang será fundamental para a conquista de bons resultados pela Yamaha.

Para isso eles contam com um piloto de testes – Jonas Folger –, que já correu na Tech3, equipe satélite prévia da Yamaha, junto com J. Zarco. O jovem alemão conhece a M1 e os fãs querem saber se vão vê-lo correr algum GP com o “wild card”. Lin Jarvis – com a sua acidez habitual – ressaltou: “No momento não é planejado que Folger faça qualquer “wild card”. Sua prioridade é testar; se algo mudar durante a temporada, falaremos sobre isso novamente”. Posição que contrasta com o pensamento de outras equipes como Aprilia e Ducati.

Jarvis vai além: “A equipe Petronas vai nos ajudar. Morbidelli terá uma moto semelhante a oficial e tem um bom relacionamento com Valentino. Ele será rápido, enquanto Quartararo vai precisar de um pouco mais de tempo. Com eles estarão Forcada e Zeelenberg, que irão propiciar uma boa troca de informações”.

Valentino Rossi e Maverick Viñales logo se juntaram ao talk show. Eles deixaram claro que aguardam ansiosamente para voltar à ação no teste oficial de pré-temporada de 2019 da MotoGP, realizado em Sepang, na Malásia, dentro de dois dias. Todos têm como objetivo melhorar o desempenho da decepcionante temporada de 2018, quando Vinãles alcançou uma única vitória no GP da Austrália.

Valentino é o mais bem sucedido piloto da Yamaha. Esta será a sua 14ª temporada com o fabricante desde que ele se juntou à equipe de fábrica em 2004, e não há sinais que tenha desacelerado. O nove vezes campeão do Mundo está bastante ansioso – o que é bom sinal – para tentar subir ao pódio novamente. Valentino estará no seu sétimo ano consecutivo com a Yamaha desde o seu regresso em 2013.

Maverick juntou-se ao time da Factory Yamaha em 2017, depois de ganhar dois anos de experiência na categoria rainha com a Suzuki e foi rápido em fazer um nome para si próprio. Ele ficou em terceiro lugar na classificação de pilotos em sua primeira temporada com a Yamaha. Embora a temporada de 2018 tenha sido difícil, o espanhol manteve alta sua motivação e venceu a corrida de Phillip Island. Ele terminou a temporada em quarto lugar no geral, apenas cinco pontos atrás de seu companheiro de equipe, que ficou na terceira posição.

VALENTINO ROSSI

“A apresentação da equipe é sempre um evento que eu gosto. Eu gostei das cores da nova moto.” Para Valentino, este ano é crucial depois de uma temporada ruim; algo que só tinha experimentado na Ducati. Como os leitores do Blog se lembram, Rossi criticou muito a R1 em 2018, e não via uma luz no fim do túnel. Os bons resultados dos testes da pré-temporada, no entanto, parecem ter injetado uma dose de ânimo no velho campeão. “Temos que trabalhar duro porque nos últimos meses nossos rivais têm dado vários passos à frente. A chave nesta nova era da MotoGP é preservar os pneus. É uma tarefa difícil porque precisamos ser precisos, e temos que fazer isso junto com os nossos engenheiros. É o nosso objetivo para este ano.”

“Nos entendemos que temos que ser mais agressivos e também precisamos usar colaborações externas. O importante é fazer todos os grupos trabalharem juntos. A interação entre a Europa e o Japão será importante; os engenheiros na Itália ganharão mais peso. Além disso, teremos uma equipe de testes, algo que nos faltou. Há muitas outras melhorias, mas, acima de tudo, vamos trabalhar juntos.” Aqui, mais uma evidência que os grupos de desenvolvimento da Yamaha Racing não conversavam.

Para Rossi, as vitórias em 2019 serão sinônimos de continuar a sua carreira, e o oposto é aterrorizador – guardar o capacete no armário. A grande vantagem de Valentino, segundo aqueles que trabalham com ele, é a sua fácil adaptação a uma situação adversa ou nova. Algo que o seu colega de equipe – Vinãles – parece não ter.

Valentino deverá cruzar a barreira dos 40s no próximo 16 de fevereiro. Uma idade que não é o seu limite, como já escrevemos em outras postagens. Ele é o primeiro piloto a fazê-lo na MotoGP. Jonathan Rea – piloto do SuperBike comentou – “Com a tecnologia atual de treinamento físico e a eletrônica das motos, ambas irão permitir estender a carreira de muitos pilotos”. O importante é estar motivado, e, o principal, “sentir-se rápido”.

Valentino sabe que para ser rápido precisará treinar fisicamente e com motos quase que diariamente para se manter em forma. Sabe também que o tempo de sua recuperação será mais prolongado. Em outras palavras: “terá que fazer um esforço maior em casa”, se quiser vencer. Ele não pensa no passado; só no presente. “Eu acredito que é muito importante continuar competitivo sabendo que posso chegar ao pódio, se divertir. Em sintonia com o filho, sua mãe em uma entrevista recente comentou: “Ele não será amigo de Márquez nem está preocupado com o 10º título. O que ele quer é propiciar para o público boas disputas com o espanhol”.

Nos últimos anos a situação mudou e o nível em todas as áreas cresceu, os pilotos são verdadeiros atletas, treinam mais, e estão focados em melhorar cada detalhe para andar mais rápido. As motos são diferentes e cada equipe tem as suas particularidades com relação a eletrônica. O que faz a diferença é o pacote todo — moto e piloto –, como disse um diretor da Yamaha. Está muito mais difícil competir hoje que há dez anos. Valentino sabe que, à sua maneira, terá que trabalhar diferente para superar esse novo obstáculo.

MAVERICK VIÑALES

“Estamos aqui em Jacarta para começar uma nova temporada. A apresentação da equipe deste ano foi muito especial, porque há muitas mudanças em relação ao ano passado. O mais notável, claro, são as novas cores da equipe e a decoração da moto. “todos os esportistas gostam de usar Monster como patrocinador, e estou orgulhoso por ter essa marca no design da minha moto.”

Maverick foi, talvez, o piloto que mais acusou a falta de competitividade de sua moto em 2018. Contudo, o ano de 2019 foi de mudanças. Mudou seu número 25 para o antigo 12, que na opinião de Marc Márquez não irá melhorar sua performance nas pistas. Mudou também sua equipe técnica – saiu Ramon Forcada e entrou Esteban Garcia –, que parece ter um apelo psicológico mais forte que o seu antecessor. Vinãles acredita que as mudanças irão ajudar a melhorar o seu desempenho. “Esteban terá o melhor de mim. Eu me sinto bem e confio muito em todas as pessoas ao meu redor.”

“Os meses de inverno foram uma boa oportunidade para me preparar para a temporada de 2019. Eu tive algum tempo para relaxar e refletir, mas uma boa parte foi passada treinando, então eu estou pronto para começar a pilotar a minha M1 novamente. Terminamos a temporada do ano passado mais forte do que começamos, então será importante manter esse ritmo enquanto nos preparamos para a primeira corrida no Qatar em abril. Nossa primeira chance de ver onde estamos é no Teste de Sepang, dentro de alguns dias. Estou ansioso por isso, porque tenho grandes expectativas para este ano. Minha motivação não mudou, e eu planejo fazer tudo nesta temporada – ‘Beast Mode On’!”

Enfim, o teste de Sepang será fundamental para Yamaha, uma vez que lá será escolhido o motor que, depois de selado, a equipe usará durante toda a temporada. Aficionados pela MotoGP, só nos resta torcer para que o monstro azul com garras verdes faça tremer os cavaleiros espanhóis e que derrube o grande dragão vermelho de Borgo.