Álvaro Bautista será o mago do WorldSBK?

“Uau Bautista! Não me diga que és todo Ducati?”

Pilotos de MotoGP mudaram o jogo no WorldSBK antes, mas será a vinda de Álvaro Bautista similar à de Max Biaggi, ou ele será como Garry McCoy, um vencedor que montou uma campanha decente na SBK? A resposta estará em algum lugar entre os dois?

Quando Biaggi foi para o WorldSBK, ele mudou muito como os pilotos abordavam a série. A categoria já não era boa o suficiente. Seu aprendizado de 250GPs tinha lhe ensinado que qualquer pequeno problema pode se tornar um grande problema rapidamente. Ele motivou a si mesmo e sua equipe a fazer tudo perfeito nas corridas.

Ele não era mais profissional do que seus rivais – ele enfrentou Troy Bayliss, Troy Corser e muitos outros – mas também trabalhou de uma forma diferente. O MotoGP era o auge e ainda é a melhor classe do mundo. No motociclismo, é o campeonato mais disputado, e o que envolve mais recursos financeiros. “Há sempre pilotos mordendo seus calcanhares e você tem que tirar o máximo proveito de sua máquina em todos os momentos”, diz um diretor de equipe. Com a “Era de Ouro” que estamos vivendo, o processo só se acentuou.

Bautista incorporou esse aprendizado do MotoGP. Já na sexta-feira Bautista mostrou ser um piloto totalmente diferente daquele que vimos nos testes. A equipe mudou a sua moto e deu a ele um novo “front end”, e, como resultado, ele executou traçados e tempos que os outros pilotos não puderam igualar. Ele conduziu a moto impecavelmente durante todo o final de semana e venceu com facilidade todas as três corridas. Após a estupenda vitória, o ex-campeão mundial de 125cc em 2006 com oito vitorias beijou a sua Panigale V4.

A euforia de Phillip Island se estendeu até Gigi Dall´Ignea, o engenheiro chefe da Ducati, que ficou acordado durante à noite no Catar assistindo a corrida. Como um verdadeiro veneziano, Gigi fumou um charuto e tomou prosecco, como o fez em 2018 ao comemorar as sete vitórias da Desmosedice com Dovi e Lorenzo. É ainda muito cedo para dizer se o binômio Bautista/Ducati vai somar mais uma vitória aos 31 campeonatos do mundo que a Ducati conquistou no WorldSBK. Ciente disso, após parabenizar Bautista, Gigi recomendou: “Continue trabalhando como se não tivesse vencido, e se concentre para a próxima corrida”.

Bautista tornou-se o primeiro estreante a vencer no WorldSBK desde Biaggi. Ele pode manter essa forma daqui para frente? Talvez sim, talvez não. Não há garantias em corridas, mas Bautista andou forte na Australia, e, em Buriram, nada mostra que será diferente. Por ter uma reta de 800 metros – a maior do campeonato, o circuito é favorável à Ducati.

Promotores do SBK – boas corridas e grande diversão

Novos pilotos, novos fabricantes e novo formato. O Campeonato Mundial de Superbike apresentou várias inovações em relação à temporada passada, e emoção parece não estar mais faltando. O MotoGP passou por mudança semelhante quanto mudou a eletrônica das fábricas para o software único da Magneti Marelli e trocou os pneus Bridgestone por Michelin. A alteração mais conhecida do WorldSBK foi a fixação de um limite de rev.

Para fins do WorldSBK, o pico de potência de um motor é definido como o limite de rotação da máquina de produção, mais 3%.Calcular isso leva um pouco mais de matemática, já que exige que você calcule a média do limite de rotação da terceira e da quarta marcha, e depois que isso for estabelecido, a FIM adiciona 3% a essa faixa de rotação. Os limites de rev são definidos no início da temporada do campeonato, mas eles não estão escritos em pedra enquanto o Campeonato durar. Os limites podem ser alterados a critério dos organizadores, à medida que o ano avança.

A dúvida que paira no ar no momento é: quantas corridas serão necessárias para limitar a Ducati? Uma vez que todos eles têm limitações de RPM e a Ducati não, a vantagem de Álvaro Bautista poderá ser considerada injusta agora.

Enquanto a kawazaki tem um motor comercial concebido para ser conduzido de forma “civilizada” nas estradas, a Panigale V4R é derivada diretamente do MotoGP. Em outras palavras: “A Kawazaki é uma moto de rua evoluída; a Ducati Panigale é uma MotoGP involuída”. Se uma nova regulamentação optar por reduzir a RPM da moto vermelha, ela deixará de ser?

Independentemente do que ocorra no WSBK, a regra de RPM ofuscou outra mudança importante: os fabricantes são agora forçados a disponibilizar os mesmos materiais aos times de fábrica e as equipes privadas. Por exemplo, se a Kawasaki introduzir uma nova atualização de motor para Jonathan Rea e Haslam em alguma corrida, isso deverá estar disponível para todas as outras equipes da Kawasaki. Essa regra torna as equipes privadas mais competitivas e mais próximas da frente. A Yamaha mostrou isso no último final de semana em Phillip Island, com a GRT terminando no pódio com Marco Melandri. Todas as quatro Yamahas são iguais e os quatro pilotos criaram momentos para recordar no final de semana.

A BMW foi “competitiva” em sua estréia. A Honda com o seu novo projeto está evoluindo. O futuro é promissor para o WorldSBK. Bautista pode ter bombado nas manchetes, mas todo o grid está ficando mais competitivo. Não é o mesmo do MotoGP, mas uma vez que o piloto sente que tem uma chance, mudará seu comportamento. Eles estavam fechados para o resto do mundo. Agora tudo começa a mudar com relação ao desempenho. Há muitos elementos do MotoGP que começaram a permear o paddock do WorldSBK nos últimos meses. Grids mais próximos e motos mais competitivas são os mais positivos.

Em suma, os pilotos do WorldSBK não perderam de repente o seu feitiço. Uma combinação de fatores esteve em ação na Austrália que favoreceu Bautista e a Ducati Panigale. É fato, no entanto, que Bautista mudou do MotoGP para o WorldSBK, e nós fãs da categoria MotoGP fomos juntos com ele, como se Bautista fosse um membro “da turma do bairro”. Com o espanhol no WorldSBK, o Blog Maniamoto se vê na obrigação de acompanhar a categoria.