Álvaro Bautista é o piloto a ser batido no WorldSBK?

“Estou aqui para estressar os pilotos rápidos.”
(Bautista)

Phillip Island não é uma pista com tantas frenagens e acelerações. Suas curvas têm características que exigem aceleração forte no meio delas, motivo pelo qual as Yamahas do MotoGP vão muito bem nesse circuito, e as ducatis desmosedici “patinam”.  Contudo, a sua irmã vermelha – a Panigale 19 de Bautista – está voando na Austrália. O piloto oriundo da MotoGP estabeleceu uma lei no circuito que a Ducati Panigale V4R é a moto a ser superada.

Álvaro Bautista (Aruba.it Racing – Ducati) voltou ao topo da tabela de tempos nesta terça-feira no circuito de Phillip Island Grand Prix com uma volta de 1m30,303s, um total de 0,440 segundos mais rápido que o seu melhor tempo do dia anterior e quase a metade de um segundo mais rápido que o quatro vezes campeão mundial Jonathan Rea (Kawasaki Racing Team WorldSBK), quarto mais rápido no circuito australiano.

A Terça-feira de manhã viu ventos mais amenos e condições mais quentes das encontradas no dia de abertura do teste. Apesar disso, o tempo que o espanhol da Ducati havia estabelecido na segunda-feira permaneceu insuperável por todos, exceto três pilotos. Bautista surgiu como o líder inicial, e, claro, para a corrida de abertura do Campeonato Mundial de Superbike MOTUL FIM. Será interessante ver se alguém poderá igualar o ritmo de “cortar o cabelo” que ele colocou em exibição na pista.

Mais seis pilotos, no entanto, conseguiram marcar sub-1’31/voltas, com o segundo colocado Tom Sykes (foto acima; BMW Motorrad WorldSBK Team) e o quinto colocado Marco Melandri (GRT Yamaha WorldSBK) dividido por dois décimos de segundo. Sykes sublinhou: “O crescimento da BMW é impressionante. Eu acho que no pouco tempo que tivemos com este projeto, todos fizeram um trabalho incrível. Não poderíamos esperar mais dessa fase de testes. É claro que sabemos que no próximo fim de semana de corrida não será fácil, porque ainda temos algum trabalho a fazer em algumas áreas. Mas sinto que a direção está certa. O potencial é maior do que esperávamos no início do projeto”.

 

Jonathan Rea, o atual campeão mundial, que já havia ficado no topo de quase todas as sessões de testes da pré-temporada em 2018 e 2019, não pode ser desconsiderado tão cedo. Vale a pena repetir que Rea está ainda em uma sequência de 11 vitórias consecutivas e quando ele está em seu ritmo há poucos pilotos capazes de derrubar o quatro vezes campeão mundial. Mas, por enquanto, a diferença entre os dois pilotos foi impressionante: apenas na primeira sessão de terça-feira, Bautista registrou sete voltas mais rápidas do que Rea na melhor marca de 1m30,761s.

Apesar do “gap” que separa Rea e Bautista, o irlandês permaneceu com o rosto sereno porque conseguiu achar as respostas que estava procurando para a sua kawazaki. “Hoje estou feliz porque conseguimos mudar a moto e entender qual direção tomar.” A seguir, Rea declarou não estar surpreso com a performance do espanhol: “Eu sabia muito bem que ele seria competitivo, já que na MotoGp mostrou ser forte, e será forte aqui também”.

Chaz Davies (Aruba.it Racing – Ducati) conseguiu reduzir o seu melhor tempo de volta de segunda-feira, enquanto continua a procurar “os pés da Panigale V4 R”. O galês estava 1,5s atrás do tempo do companheiro de equipe. Amargurado, comentou: “A experiência do Álvaro na MotoGP permitiu-lhe entender a moto rapidamente. Eu não espero milagres…no momento minha confiança na moto é 40%”. O desempenho de Bautista está colocando pressão sobre o galês, que ainda não encontrou o caminho a ser seguido. Sua face era só abatimento.

O vencedor do Aussie de 2018, Marco Melandri, fechou a terça-feira como o quinto melhor, depois de muito trabalho duro à frente da sua Yamaha YZF R1. O mesmo vale para o estreante Sandro Cortese (GRT Yamaha WorldSBK), oitavo em Phillip Island.

Álvaro Bautista exaltou as qualidades da Panigale V4R, mas não quer ser cobrado pelo desempenho da terça-feira. “Qualquer coisa pode acontecer com a moto”, disse o espanhol sobre o assunto. “É verdade que eu fui o mais rápido, mas Phillip Island será a minha primeira corrida do Campeonato, com uma moto que nunca correu antes no SBK. Antes de usarmos a palavra vitória, digamos que estou aqui para estressar os pilotos mais rápidos. Digo isso porque na Superbike há muitas coisas diferentes da MotoGP e preciso me adaptar.”

“As mudanças na geometria da moto me deram confiança e estou muito feliz. Na verdade conseguimos o que queríamos. As sensações e o ritmo são bons, mesmo para as últimas quatro voltas da corrida que serão decisivas para a gestão de pneus. Na corrida você tenta conservar tanto pneus quanto energia, enquanto que nos teste não é assim. Pessoalmente estou confiante, pois acho que tenho o que preciso.”

A rápida adaptação de Bautista à Panigale pode ser explicada pelo fato de a moto ser semelhante (# de igual) à da MotoGP, conforme o piloto declarou numa entrevista. Com um riso de alegria estampado no rosto, Bautista sabe que tem que pensar no amanhã: “Temos um plano de trabalho que precisamos respeitar, para estarmos preparados quando a hora chegar. Devemos continuar a agir como equipe, tanto eu quanto o meu parceiro, para chegar onde queremos”.

A Ducati conseguirá acabar com o reinado da Kawazaki? A resposta para esta questão só será conhecida no final de outubro, mas será o suficiente para manter os fãs grudados na “telinha”. É fato que a presença de Álvaro Bautista é um enriquecimento para o Campeonato Mundial de Superbike. Com o melhor tempo no teste de Phillip Island, o ex-piloto de MotoGP é o favorito para a abertura da temporada, e o seu maior rival será, sem dúvida, Jonathan Rea.

# Nota: A 32ª edição do Campeonato Mundial começa neste final de semana em Phillip Island, que hospeda o Superbike pela vigésima nona vez. Este ano, o formato de fim de semana de corrida sofreu várias mudanças, e a mais importante foi a introdução de uma corrida Superpole de dez voltas. Isto começará às 12.00 horas de domingo e substitui as duas sessões de qualificação de Superpole 1 e Superpole 2. O resultado da corrida Superpole determina o grid de largada para a Corrida 2 e atribuirá pontos para a classificação do campeonato. Além disso, o número de sessões de treinos livres também foi alterado para dois na sexta-feira e um na manhã de sábado. As corridas de sábado e domingo permanecerão inalteradas.