Chegou a vez de Bautista no Superbike ou a restrição de giros da Panigale irá alterar o seu rendimento?

“Os pilotos estão nas corridas para ganhar, e eles farão o que for preciso fazer.”

Alvaro Bautista chegou com a sua grande nave vermelha – uma Ducati V4R – no WorldSBK e surpreendeu a todos, incluindo a própria Ducati. A dobra espacial da Panigale permitiu que Bautista pintasse uma obra-prima móvel após outra obra-prima. Ele venceu as seis primeiras corridas de 2019, em sua primeira temporada no WorldSBK.

Bautista e a Ducati formam um casal perfeito? Se o leitor do Maniamoto disser que não, então como ele chegou aqui, um piloto que nunca usou Pirelli antes? Os entusiastas do motociclismo sabem que as corridas sempre foram sobre pneus. Contudo, o fator que está marcando a diferença não é tanto o motor, e sim a forma de pilotar de Álvaro Bautista.

Ele sempre foi um dos melhores pilotos por trás dos chamados alienígenas do MotoGP. E tal como os melhores pilotos de MotoGP que vieram para um “treino de longa duração no WorldSBK”, o espanhol na abordagem à resolução de problemas está implacável. Bautista veio ao SBK para vencer. E você faz isso eliminando todos os seus problemas de tecnologia ou configuração o tempo todo. Embora seus rivais se queixem da dura realidade do desempenho de sua máquina, todos eles estão louvando as atuações de Bautista com entusiasmo, dando a sua montaria o respeito que obviamente merece.

Todos excetuando Jonathan Rea – quatro vezes campeão do SBK. “Era raro eu ganhar com uma diferença maior que 6s nas quatros temporadas em que conquistei os campeonatos, enquanto que nessas primeiras corridas a Ducati demoliu seus oponentes. A diferença é certamente muito grande”, declarou ele ao site GPOne.com. Quanto a limitação de rotações no moto da Ducati, Rea respondeu: “Não sei se o que irá acontecer após a Dorna limitar as rotações da Ducati. No ano passado perdemos cerca de 1100 rpms e eu ainda fiquei rápido. Precisamos avaliar a coisa em relação a cada motor: é fácil dizer e difícil fazer”.

A possível limitação de giros na Ducati parece não preocupar Bautista. “Claro que não faço estratégias para parecer menos competitivo. Piloto a moto dando o meu melhor e consequentemente eu me divirto. É o que farei com ou sem limitações, dando o meu máximo, quer se trate de ganhar com uma vantagem de 5 segundos ou por um décimo ou mesmo terminar em quinto. No final é a única coisa que importa para mim.”

Todos esperam que a Dorna tome uma medida contra a Ducati, Contudo, o recém empossado Diretor do Superbike — Gregorio Lavilla comentou: “A Dorna não está aqui para punir ou penalizar quem vence. É verdade é que Bautista está dominando, mas estamos apenas na segunda corrida do campeonato. Ninguém tem uma bola de cristal para prever o que acontecerá a partir de Aragão. Aliás, no momento, só há uma Ducati ganhando; as outras estão sofrendo”.

Quando questionado sobre uma possível intervenção na Ducati, Lavilla disse que uma empresa fora da Dorna irá tomar uma decisão após analisar as vitórias e as viragens durante o campeonato.

Culpe as regras. Ou elogie-as, dependendo do seu ponto de vista pessoal.

Claro que a Ducati subiu o nível de seu jogo este ano, promovendo uma grande melhoria na sua base, com uma equipe mais especializada, e não menos importante, uma nova moto com um motor que é mais ou menos a chama ciclistica da MotoGP 2015. Tudo isso comandado pelo guru de tecnologia – Gigi Dall’Igna – que já havia conquistado quatro campeonatos mundiais pela Aprilia. Ele fizeram a Ducati se reformatar no WorldSBK de uma forma que eles já estavam acostumados a aproveitar nas duas primeiras décadas de vida do Campeonato Mundial. Mas para fazer isso eles tiveram que – e quero dizer isso da maneira mais positiva possível – atacar o livro de regras (mais uma vez!).

Depois de todas as regras da Dorna / FIM incluindo a imposição de limites de rev baseados no desempenho da moto real de estrada, existe apenas uma maneira de melhorar o seu desempenho de pico: “aumentar o limite real de giro do motor”.

A Kawasaki fez isso este ano, aumentando o giro da moto de estrada em mais 600 revs, com um rendimento regulamentar de mais 500 rotações para o piloto. Mas a Ducati fez o desempenho de seus motores de moto de estrada aumentar para 16.000 rpm, como uma moto de corrida, e foi totalmente legal ao fazê-lo. Eles apenas começaram a partir de um ponto de roadbike superior e muito mais caro.

As coisas podem mudar quando o campeonato chegar à Europa, e normalmente isso acontece, e então as tendências se tornarão mais fortes de como o resto do ano será. Melhores pistas virão para Rea, mas todas as pistas têm retas, e muito mais áreas de saída de curvas, com curvas de torque mais alto / mais planas para a Ducati.

Já terminamos então? Quais são as perspectivas do título ir para a cidade vermelha? Tudo pode acontecer a partir de agora até o final em Losail em outubro, mas é um caso de uma luta longa, com vários rounds entre aqueles que quebraram o livro de regras e os que estão encostados nas cordas. Vamos ver como Rea e a Kawazaki irão reagir…