Equipe Ten Kate: do sofrimento à redenção no WorldSBK

Por quase 25 anos a Ten Kate foi sinônimo de Honda nas corridas de World Superbike. Eles começaram primeiro a correr no World Supersport; depois correram em ambas as classes, e, em 2001, ganharam o apoio oficial da Honda. Depois disso a equipe se tornou a principal base da fábrica japonesa no SBK desde 2005, ganhando títulos nas categorias World Superbike e World Supersport, com grandes pilotos como como Michael van der Mark, James Toseland, Chris Vermeulen e Kenan Sofuoglu.

Por isso foi um choque para o mundo quando a Honda anunciou o fim de sua parceria com a Ten Kate para a temporada de 2019 do WorldSBK. Se foi um choque para o mundo das corridas, imagine o tamanho do golpe para Ronald Ten Kate e o resto da equipe quando disseram em uma reunião em Amsterdã que a Honda decidiu fazer parceria com a Moriwaki e a equipe Althea, cedendo a moto que competiu nas 8 horas de Suzuka como base para sua campanha no WorldSBK. De um só golpe, o time Ten Kate ficou sem motos, sem apoio, e sem seu principal piloto, Leon Camier, que também assinou com a Honda.

Eles também ficaram com os custos crescentes, pois investiram dezenas de milhares de euros para a temporada de 2019. Equipamentos e peças foram encomendados e preparações foram feitas. A equipe tinha também mais de 20 funcionários na folha de pagamento. Dirigindo para casa após a reunião em Amsterdã, os pensamentos de Ronald ten Kate estavam com as pessoas que ele teria que demitir.

A Ten Kate passou por alguns dias sombrios nos meses que se seguiram, mas juntos, Ronald ten Kate e o gerente da equipe, Kervin Bos, trabalharam em um novo caminho a seguir. No início deste ano, rumores começaram a surgir de um retorno. No contato com a imprensa na rodada de Assen do WSBK na semana passada eles finalmente puderam apresentar seus novos planos: Em Jerez, ou possivelmente Imola, a equipe estará de volta com Loris Baz como piloto, desta vez competindo com uma Yamaha.

Ainda em Assen, Ronald ten Kate sentou-se com um pequeno grupo de jornalistas para contar sua história. Ele entrou em detalhes sobre como a equipe negociou com a Yamaha, como terminou sua parceria com a Honda, e como eles conseguiram superar toda a situação. Ele lançou alguma luz sobre o lado comercial da gestão de equipe e como a parceria com a Yamaha beneficia a Ten Kate como uma equipe de corrida, e também comercialmente, em seus negócios da Racing Products. É um conto fascinante e comovente de um lado das corridas que não conseguimos ver com muita frequência.

Ronald reporta que o seu começo com a Yamaha começou após o choque de 30 de outubro, quando disseram a eles que não teriam o contrato renovado com a Honda. Inicialmente tentaram encontrar uma solução rápida, mas ficou claro que seria impossível, e que não havia uma solução rápida disponível.

Esse período deu a oportunidade de discutir com potenciais parceiros ou fabricantes um pouco mais e pensar mais profundamente. E no “final do dia”, a Yamaha ofereceu o melhor pacote do ponto de vista técnico e a perspectiva do que estava por trás disso, porque eles sempre combinaram a loja de motocicletas e produtos de corrida com a equipe de corrida.

A Yamaha foi o melhor link para eles porque a fábrica tem toda uma série de motos, a R125, a R3, a R6, a R1. E logo depois de chegarem às etapas finais do acordo para o WorldSBK com a Yamaha, eles foram colocados juntos com outras pessoas da Yamaha em uma mesa diferente para falar sobre a Pro shop, uma loja da Racing Products para distribuir peças ao redor do mundo. Então isso foi uma grande vantagem para eles, mas antes de mais nada, a questão mais importante era com qual fábrica eles podiam ser competitivos o quanto queriam ser, e a Yamaha foi a escolha.

Quando indagado se sentia alguma satisfação em ver a Honda ir tão mal no WSBK, Ronald respondeu: “Oh não, isso é uma vergonha terrível! [Disse com grande sarcasmo]. Mas honestamente, não faz a mínima diferença se eles estão na frente ou atrás. Isso não muda nada a situação para mim”.

“Mas eu teria rachado minha cabeça contra a parede se a Honda aparecesse de repente com uma nova tecnologia que deixasse a fábrica na frente. Porque isso significaria que essa tecnologia estava disponível nos últimos anos; que ela estava em algum lugar em uma caixa mágica, e que eles poderiam ter dado para nós. Se isso tivesse acontecido, eu teria ficado ainda mais irritado com a Honda do que já estava.”

“Mas o fato de eles estarem no fundo do poço é uma confirmação de que realmente fizemos tudo o que podíamos e esprememos a última gota de desempenho da moto. Vamos ser honestos, no ano passado nas duas primeiras rodadas em Phillip Island e na Tailândia, estávamos na luta pelo pódio. Nós estávamos lá no grupo principal. E agora, eles não estão nem perto disso. Então, eu realmente não me importo muito, mas é gratificante ver o que conseguimos.”

“Eu acho que eles estão descobrindo que o grande erro que eles cometeram foi subestimar o nível do WorldSBK. Eles pensaram: “pegaremos nossa moto das 8 horas de Suzuka, e a colocamos no WorldSBK; instalamos um motor onde as rotações são um pouco mais altas; aí colocamos uma equipe em torno dela e vamos competir; então mostraremos a todos o quão boa a moto é”. “E agora eles estão descobrindo que não é tão fácil. É uma pena que eles estão tendo que descobrir da maneira mais difícil, mas acho que esse é o maior erro que eles estão comentendo.”

Quanto ao jovem piloto contratado – Loris Baz – Ronald respondeu: “Ele é experiente o suficiente; ele já venceu corridas no WorldSBK; ele é jovem ainda, apesar de todo mundo não acreditar, por causa do tempo que ele está no paddock. Ele tem apenas 26 anos, mas todo mundo acha que tem 30 e poucos anos! Em 2008, ele foi campeão da Superstock. Então ele começou ridiculamente jovem sua carreira”.

O Maniamoto espera que a Ten Kate tenha sucesso com a Yamaha no WSBK.