Honda e Márquez dão passos gigantes com a moto RC213V rumo a 2020

“Marquez é assustador. Não vi nada parecido na minha vida. Tenho certeza que a Honda não permitirá que Márquez deixe seu time, porque a fábrica não saberia o que fazer sem ele”
Luca Cadalora –  tricampeão mundial (título de 125cc e dois de 250cc)

Como se costuma dizer na F-1, quando a metade da temporada chega, “se o carro não funciona, não é competitivo, não está entre os melhores e não briga pelo pódio, os engenheiros e projetistas das principais equipes começam a trabalhar na construção do carro do ano seguinte, deixando de lado a evolução do carro atual”.

O mundo do MotoGP não chega a esse extremo, entre outras razões, porque, em relação ao Campeonato 2019, todas as marcas oficiais têm boas motos, capazes de brigar em cada grande prêmio e, é claro, sua capacidade de evoluir permite, com frequência, especialmente aos grandes construtores (que parece ser o caso da Honda e Ducati , mais do que  Yamaha e Suzuki ), compatibilizar ambos os projetos, permitindo vencer hoje e já olhar para 2020.

A Honda confia somente em Marc Márquez?

Sempre se comenta que na segunda-feira de Brno, ou seja, no “dia seguinte” ao Grande Prêmio da República Tcheca, é hora de começar a pensar no ano seguinte. E foi aí que apenas a Honda conseguiu demonstrar sua grande capacidade criativa, seu desejo de permanecer no topo do pódio e, acima de tudo, sua insistência em se submeter aos pedidos de seu próprio campeão Marc Márquez, apresentando a ele o seu melhor material ano após ano e, como o engenheiro japonês Takeo Yokohama apontou na conferência de Brno, “seguir o caminho que Marc nos aponta para desenvolver a moto”.

Mas como fica a opinião dos outros pilotos? Pouco importa que o pentacampeão Jorge Lorenzo reclame que a motocicleta é muito difícil de pilotar ou que o britânico Cal Crutchlow , o outro piloto oficial, diga que “se eu andar como Marc, eu me mato”. A Honda colocou novamente quatro motos na garagem de Márquez no recente teste de Misano, onde, nesta semana, o campeonato será retomado e que todos já consideram como o trecho final de uma nova conquista, a sexta em sete anos, quando o garoto de Cervera poderá renovar seu cetro já na Tailândia e / ou no Japão — “O líder do motoGP, em agosto, sempre conquista o título.”

“Márquez tem mais de três vitórias de margem sobre ‘Dovi’ e pode começar a se preparar para o próximo Campeonato”

Essas quatro máquinas, com chassis e especificações diferentes, foram testadas por Márquez nas 168 voltas que ele fez, pensando muito mais em 2020 do que no sprint final da Copa do Mundo de 2019. A moto deste ano, que possui um projeto de chassi 2020 – com reforço de alumínio e carbono – é poderosa e competitiva o suficiente para alcançar a vantagem de 78 pontos em relação ao segundo, o sempre vice-campeão Andrea Dovizioso (Ducati). Marc usou o teste para continuar dando instruções e sugestões aos “cem engenheiros” que trabalham para ele na HRC (Honda Racing Corporation).

Não é preciso dizer que Márquez, que sofreu uma queda no primeiro dia de Misano (oitava da temporada), onde o jovem francês Fabio Quartararo (Yamaha) voltou a ser o mais rápido, não quis revelar absolutamente nada do que foi testado, ou se as novidades são para o trecho final do campeonato ou já para a próxima temporada. Ele disse que começou a trabalhar com a motocicleta deste ano “tentando melhorá-la em alguns momentos” e, posteriormente, “começamos a testar as coisas para o próximo ano”.

Foi em Brno, precisamente, onde Márquez reconheceu que estava trabalhando na moto porque queria melhorá-la, em relação ao chassi e motor, para facilitar a condução para os outros pilotos da marca. “Trabalho para ajudar os meus parceiros de marca sim, mas trabalho para mim também, é claro”, comentou o espanhol.

Nesse sentido, todos no paddock de MotoGP estão convencidos que a Honda largou na frente com a Moto-2020, reduzindo a vantagem que a Ducati tirou no ano passado com a potência do motor. É evidente, como ele comentou em mais de uma ocasião, que Márquez adoraria ter um chassi como o da Suzuki (“se ele me der o motor, eu lhe dou um chassi”, brincou Àlex Rins quando soube), mas o heptacampeão catalão não se cansa de elogiar os grandes recursos e benefícios da Honda-2019, que lhe permitiram subir ao pódio em 11 das 12 corridas , vencendo seis delas.

Muitos pensam que a Honda não venceria se não tivesse Márquez, embora haja outros que defendem que muito dificilmente qualquer outra marca disponibilizaria ao campeão de Cervera tantos recursos de tecnologia, engenheiros e meios para criar, evoluir e melhorar, dia após dia, a motocicleta do campeão.

Sempre deixei claro aqui no Blog que a Honda / Márquez é que formam o verdadeiro “dream team” do MotoGP. É por isso que a Ducati tem que dar um grande salto para facilitar a vida de seus pilotos (Dovizioso, Danilo Petrucci e Jack Miller ). É por isso que a Suzuki, que ainda descarta incompreensivelmente ter uma equipe “satélite” com a qual poderia ajudar Rins na evolução de sua moto, deve repensar esse erro. E é por isso que Valentino Rossi e Maverick Viñales lamentam profundamente que a moto que a Yamaha levou para Brno e repetiu em Misano não seja o que eles esperavam e, sim, eles não precisam apenas de muito mais cavalos no futuro motor, mas também de maior aderencia nos pneus permitindo encostar com mais segurança os cotovelos no chão, aumentando assim a sua competitividade…