Jonathan Rea pode ser comparado a Marc Márquez?

Jonathan Rea é o homem a ser batido este ano no SuperBike, e ele está fazendo tudo o que pode para garantir que seu tempo no topo continue. Enquanto o quatro vezes campeão do WorldSBK pode redefinir seus objetivos no início de cada temporada, por outro lado ele preferiu manter o grupo principal de pessoas ao seu redor. O chefe de equipe Pere Riba, o especialista em eletrônica Davide Gentile e os mecânicos Uri Pallares e Arturo Perez estão juntos pela quinta vez.

O que foi feito nos últimos anos não passou desapercebido pelo público e mídia especializada, e muitos se aventuraram a compará-lo com Marc Márquez. “Todo piloto tem suas próprias qualidades quanto sobe na moto”, diz Rea. “Marc certamente tem um grande talento e no MotoGP ele está mostrando seu potencial; e é mais novo que eu. Eu acho que nós dois corremos com mentalidade vencedora.”

Ganhar! O objetivo de Rea para 2019 permanece o mesmo. Mas o que impulsiona o irlandês do norte para a frente? No início do seu contrato com a Kawasaki, a motivação era clara – conquistar o primeiro título. Desde então o objetivo é permanecer no topo, mas o medo de perder foi a força propulsora no ano passado. Para 2019, Rea está mais relaxado e a motivação parece estar vindo de uma vida menos confusa.

“Minha motivação não mudou realmente”, diz Rea. “Eu quero ficar no topo. Em um determinado momento do ano passado eu entrei em pânico porque achei que meu tempo estava acabando, mas este ano sinto que posso voltar à onda e seguir em frente. Quando encontrei o sentimento certo com a moto no ano passado, senti-me invencível. Não teria importado se trouxessem uma moto de MotoGP para a pista com o melhor piloto do mundo. Eu senti como se fosse sair e vencer.”

Algumas semanas atrás, durante a apresentação da Repsol Honda Team, Márquez declarou que não pensava no passado, nos títulos. Quando perguntado sobre esse comportamento, Rea comentou: “Neste esporte você tem que aproveitar as vitórias, mas também esquecê-las depressa para ser capaz de melhorar”. “Ganhar é como uma droga que vicia, e então você não se conforma com menos, mas talvez essa seja a beleza do nosso esporte porque permite que você cresça e supere obstáculos rapidamente. Para mim há o sucesso nas pistas com a Kawazaki, mas também há o dia a dia com a família e com toda a sua equipe ao lado.”

Conflitos internos na garagem

Rea não sentirá falta da atmosfera que havia infectado o time da KRT nos últimos anos. Com Tom Sykes tendo se mudado, a tensão que era claramente onipresente foi removida. Rea parece pronto para passar a próxima fase de sua carreira.

“Nós nunca tivemos um relacionamento de trabalho. Quando cheguei, senti que tinha que ganhar meu lugar na equipe, e esse foi o caso mesmo depois de vencer um campeonato mundial. Tom é um cara muito diferente e não havia relação entre ele e Spies. Zero entre ele e Baz. Zero entre ele e Lascorz. Foi o mesmo comigo. Eu não me sentia como o cara que mudou a dinâmica dentro da Kawasaki.”

“Quando cheguei ao time, todas as minhas ideias foram anuladas porque meu caminho não era visto como o certo. Ele era o piloto de desenvolvimento, mas mesmo depois de quatro anos, ele ainda encontrava limitações. Eu tinha um alvo claro de onde queria ir. Se eu dissesse ‘esquerda’, ele dizia ‘direita’. Se eu dissesse “preto”, ele dizia “branco”. Com Leon estamos tentando desenvolver a moto juntos, porque há muitos caras que precisamos vencer, então precisamos fazer esta moto o melhor que pudermos. Você tem que esquecer como a moto se sentiu no ano passado, porque é isso que temos agora”.

Marc Márquez possivelmente não terá essa atmosfera dentro de sua garagem, uma vez que os dirigentes da Honda darão oportunidades iguais aos seus dois pilotos para desenvolver a moto a maneira deles.

Voltando para casa

Similar a RC213V, a Kawasaki ZX10-RR é a moto que todos querem bater. A kawazaki dominou os últimos quatro campeonatos, e agora aumentou seu limite de rotação para 2019, crucial para as atuais regulações de “rev-capping”, e diminuiu o peso de certos componentes. Mudou a moto e deu a Rea o feedback que ele queria. Nos testes de inverno ele se sentiu bem.

Pere Riba, chefe da equipe (foto acima), tem grande confiança no potencial da moto este ano, mas ao mesmo tempo não subestima os adversários, todos como fome de explodir seu trono. Quanto interrogado sobre o potencial da Panigale V4R, respondeu: “Eles venderam o projeto da nova moto como impressionante em termos de desempenho, mas sem ter a comparação primeiro nas pistas. A Panigale é uma boa moto, com bom potencial de crescimento, no entanto, não vi nada de excepcional no momento”. Em outras palavras, para Pere Riba a Ducati Panigale ainda não é…(mais polêmica para os ducatistas).

Quando perguntado sobre a semelhança de Rea e Márquez, Riba sublinhou: “Acho complicado fazer uma comparação. Por um lado, temos um piloto como Marc que nos últimos anos teve que lidar com uma moto que não estava no topo, e mesmo assim conquistou o título. Por outro lado, Johnny aproveitou o máximo o potencial da ZX-10RR. Acho ainda que há um ponto comum entre ambos que é se adaptar a qualquer situação complicada, encontrando o caminho para transformá-la a seu favor”.

Rea tem também imitado o trabalho de Márquez fora das pistas. “Desde que me mudei de casa, tenho treinado de motocross em uma pista na costa norte e tem sido ótimo. Treinar quase todos os dias me deixa muito feliz porque o motocross foi sempre meu sonho de infância. Fiz meu acampamento MX na Espanha e tenho um novo treinador, Johnny Davis, que era o chefe de performance do Ulster Rugby. Eu treinei diferente este ano com muito mais carga em comparação com o passado.

“Na moto, sinto uma pequena melhora. Eu tentei trabalhar um pouco na minha nutrição também, porque o inverno é basicamente a única estação que você pode fazer isso corretamente, mas eu tenho 32 anos e tenho meus hábitos! Não quero que as pessoas me preguem o que devo e não devo comer. Eu não quero ficar inseguro e começar a me concentrar muito nisso. Já vi pilotos percorrendo esse caminho e houve uma correlação direta com a perda de resultados. Se você está confiante de que as outras coisas não importam, tudo bem. Mas se você está inseguro, isso pode afetá-lo. Se seus resultados começam a cair, você pode levar mais a sério a comida e esquecer a moto.

Nos últimos anos, Rea não teve que se preocupar com a queda de sua performance na moto, mas sua preparação para 2019 mostra que ele está fazendo tudo o que pode para garantir que isso não aconteça tão cedo. Marc Márquez também…