Jorge Lorenzo na cova do leão Marc Márquez.

Ao celebrar a sua primeira vitória na Ducati em Mugello no domingo, Jorge Lorenzo falou da importância em ter autoconfiança e determinação para poder seguir em frente nos momentos difíceis.

 

“Agora é fácil falar mas antes foi a parte mais difícil, poucas pessoas acreditavam em mim quando os resultados não eram bons”.

“Este é um resultado que você alcança quando sua mente trabalha com determinação, orgulho e o pensamento de nunca desistir”.

É provavelmente o mesmo pensamento que afastou Lorenzo da opção mais fácil de um retorno à Yamaha(por meio de uma satélite) para enfrentar outro desafio ao estilo da Ducati na Repsol Honda.

Isso significa bater de frente com o atual campeão Marc Marquez, em uma equipe centrada em torno do quatro vezes campeão da MotoGP, em uma moto considerada ainda mais complicada do que a Ducati com a qual Lorenzo lutou por 23 corridas sem uma vitória.

“Nós vencemos algumas corridas este ano, mas os outros podem ver que a Honda não é uma moto fácil e você deve forçar muito, sempre estar no limite”, advertiu o líder do campeonato, Marquez, no domingo, ao ser questionado sobre o número de pilotos que aparentemente visavam a chance de ser seu companheiro de equipe em 2019.

Ainda assim, Lorenzo parece ter aceitado o desafio da Honda antes da vitória de domingo, quando seu melhor resultado da temporada foi apenas um sexto lugar. Isso é autoconfiança, talvez misturada com um elemento de orgulho do qual ele falou depois de vencer em Mugello, recusando a oportunidade mais segura de um retorno para a Yamaha.

Mas o que Lorenzo teria provado se ele voltasse para a Yamaha?

Ele já ganhou 44 corridas e três títulos em um M1, a moto parece ter perdido o seu caminho desde que ele saiu e não há sequer uma equipe de satélite no lugar para 2019. Rossi reconstruiu sua carreira voltando para a Yamaha em 2013, mas ele teria escolhido retornar se a única opção fosse uma equipe satélite?

Falando em autoconfiança, seria incrível se Marquez não fosse consultado sobre a identidade de seu companheiro de equipe – especialmente um piloto de alto perfil como Jorge Lorenzo – e ele claramente não vetaria o acordo.

“Sempre digo que quero ter o companheiro de equipa mais forte”, declarou Marc em Mugello.

Isso certamente será o caso, com o histórico de Jorge Lorenzo fazendo dele o companheiro de equipe mais forte que Marquez já enfrentou nos seus anos de competição.

Será uma nova situação para o E.T. 93, mas Lorenzo pode contar com sete anos de experiência em batalhas contra o “velho leão” Valentino Rossi, coisa que Marc nunca teve, não sabe o que é estar na cova de um leão, aliás, nunca defendeu seu território diante de outro leão.

“Eita!”

A parceria Marc e Jorge Lorenzo é também um golpe significativo para o novo gestor da Repsol Honda, Alberto Puig, que assumiu o comando de Livio Suppo no início deste ano.

Dúvidas foram levantadas se o espanhol era o homem certo para o trabalho, mas agora ele montou um line-up de pilotos que pode ostentar todos os títulos de MotoGP desde Casey Stoner em 2011.

A cereja no topo do bolo é que ambos são espanhóis, o que significa menos objeções do patrocinador principal Repsol sobre deixar Pedrosa partir.

De fato, Marquez e Lorenzo são os pilotos da MotoGP mais bem sucedidos que a Espanha já produziu e o resultado das duas próximas temporadas será fundamental para dar forma aos seus lugares na história da competição.

Marquez tem mais a perder nesse ponto, tendo surpreendido todos os adversários anteriores na mesma máquina. Mas Lorenzo tem menos pressão e muito mais experiência.

Vai ser fascinante assistir…
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