O sonho da KTM e o dilema da Ducati

Os pilotos de MotoGP têm apenas duas semanas de novos contratos, mas já se especula o que vai acontecer num futuro próximo. Na Itália, há uma discussão sobre quem sentará no banco oficial de fábrica da Ducati, ao lado de Andrea Dovizioso, em 2020. Na Espanha, eles estão olhando para 2021, e a opção da KTM em oferecer a Marc Márquez um contrato.

O piloto da Repsol Honda continua no meio da reabilitação após ter sido submetido à cirurgia no ombro em dezembro. Ele está indo razoavelmente bem conforme o post no Instagram mostra-o participando da Fita973, uma corrida de cross country de 13 km organizada pelos irmãos Márquez na Catalunha.

Com a atenção do mundo voltada para o rally Dakar, o jornal esportivo espanhol Marca, que também dirige um programa de rádio, chamou Marc Coma, cinco vezes vencedor do Dakar e agora chefe da KTM Espanha, para falar sobre a manifestação em curso no Peru. Durante a entrevista, Coma disse que ele não descartaria uma abordagem a Marc Márquez: “Marc fazia parte da família KTM no passado”, disse Coma. “O projecto de MotoGP da KTM está caminhando na direção certa (O Maniamoto fará uma matéria sobre isso). Quando a moto estiver pronta para vencer, porque não ter o Márquez conosco?”

Coma admitiu também que esta não foi a primeira vez que a KTM abordou Márquez. “A KTM já fez uma tentativa previamente. Eles fizeram uma oferta de contrato”, disse Coma. “Pessoalmente, eu adoraria que Marc assinasse com a nossa empresa.”

Apesar de a próxima rodada de negociações dos contratos estar a pelo menos um ano – e a KTM RC16 parece estar a mais de um ano de ser capaz de vencer uma corrida de MotoGP (que o Henrique Franco, do Motomania, nos desculpe) – a batalha pela assinatura de Marc Márquez já está se aquecendo. Isso dificilmente seria uma surpresa: desde que entrou na categoria rainha, Márquez ganhou cinco dos seis campeonatos, várias vezes em motos que eram inferiores na competição. Apenas uma Honda — a RC213V — era verdadeiramente difícil, e a falta de experiência no manuseio de resultados adversos o impediram de chegar a seis em seis.

Os fabricantes que participam da MotoGP e que esperam ganhar um campeonato entendem isso, e estão torcendo para contratar o espanhol. Na rodada anterior de negociações de contrato, como Marc Coma afirmou, a KTM fez uma abordagem a Marc Márquez. E a Ducati também ofereceu a Márquez uma grande quantia de dinheiro no inverno passado para que ele pilotasse a moto vermelha. Quando a próxima rodada de negociações começar, no final desta temporada, a Ducati voltará a ter como alvo Marc Márquez para a temporada de 2021 e além.

Se Márquez vai mudar de equipe é uma questão em aberto. Primeiramente, Márquez não vai mudar sem levar toda a sua “trupe” junto com ele. As fábricas não estão interessadas nisso, e a Ducati duplamente, depois da experiência fracassada com Valentino Rossi. Quando um time completo chega, significa que não há na equipe recebedora alguém com experiência suficiente com a moto para ajudar a orientar o caminho. Alguns na Ducati sentiram isso, e esta talvez seja uma das explicações de Rossi ter falhado na Ducati.

Também será interessante ver se a Honda está disposta a deixar Márquez sair. Até agora, eles entenderam que seu futuro está amarrado inextricavelmente ao do jovem espanhol. Mas a chegada de Jorge Lorenzo pode encorajá-los a sentir que ainda podem conquistar títulos sem Márquez, se Lorenzo se adaptar o suficiente. As abordagens da KTM e da Ducati certamente fortalecerão a mão de Márquez na barganha. Os resultados de Lorenzo em seu primeiro ano podem ter um papel determinante de quão longe a Honda deve seguir com Marc Márquez.

O dilema da Ducati

Antes de 2021, há a questão do segundo lugar no elenco da Ducati. Antes da temporada de 2019 ter começado, e antes do lançamento da Ducati na Suíça na noite de sexta-feira, já há especulações sobre quem vai correr ao lado de Andrea Dovizioso em 2020. Danilo Petrucci foi promovido da Pramac Ducati após Jorge Lorenzo migrar para a Honda, e a Ducati assinou com Pecco Bagnaia antes do início da temporada 2018 de Moto2 para integrar a Pramac em 2019. Bagnaia junta-se a Jack Miller, o australiano que estreou na Ducati GP17 como colega de equipe de Petrucci na Pramac em 2018.

“Os resultados de Petrucci, Miller e Pecco nos ajudarão a decidir qual piloto estará na equipe de fábrica em 2020”, disse Paolo Ciabatti, diretor da Ducati, a Oriol Puigdemont, da Motorsport.com, na semana passada. Petrucci trabalhou na Superstock antes de chegar a uma equipe de fábrica na MotoGP; uma prova viva de seu trabalho duro e da sua determinação. Jack Miller aprendeu durante dois anos difíceis na MotoGP que talento é inútil se você não associá-lo ao trabalho duro — Michael Jordan, campeão da NBA, dizia a mesma coisa. E Bagnaia é amplamente considerado um dos maiores talentos que já entrou na MotoGP em vários anos. A Ducati o tem em tão alto conceito que o contratou antes mesmo de ele ganhar uma corrida na Moto2.

Logicamente, parece que Bagnaia é o futuro da Ducati, especialmente porque eles o associaram a Cristian Gabarrini, sem dúvida um dos melhores chefes de equipe do paddock. Mas a Ducati revelou também ser implacável quando se trata de pilotos, como mostrou no primeiro semestre de 2018, com Jorge Lorenzo. Alex Barros, com grande experiência em MotoGP, diz: “O que conta é a pontuação, e o piloto que tiver a maior performance conquistará o assento”.