Massimo Rivola, CEO da Aprilia, explica o motivo do protesto contra a Ducati e as contradições do diretor técnico.

A Ducati está mais uma vez no centro das atenções por uma interpretação / má interpretação das regras. O Maniamoto trouxe nos últimos dias todos os detalhes do caso envolvendo a fábrica e o uso do seu defletor aerodinâmico. Acrescentamos posteriormente os comentários do Diretor da Suzuki e a defesa de Gigi Dal`Igna. Agora o Blog brinda os seus leitores com a declaração de Massimo Rivola — CEO da Aprilia — principal articulador do protesto contra a marca vermelha.

Vamos recapitular os fatos. Na corrida de abertura da temporada no Catar, a Ducati fez um pequeno dispositivo na parte de baixo do braço móvel de suas três motos de fábrica, entre elas a do vencedor da corrida, Andrea Dovizioso. Quatro equipes – Aprilia Gresini, Red Bull KTM, Repsol Honda e Suzuki Ecstar – prepararam antecipadamente um protesto contra este objeto, que foi rejeitado pelo painel de representantes de MotoGP. As equipes então interpuseram uma apelação junto aos comissários de apelação, que encaminharam o caso para a corte de apelação. A decisão é esperada antes do Grande Prêmio da Argentina em 31 de março.

As primeiras fotos disponíveis mostraram algo com a aparência de uma simples colher (abaixo), então assumiu-se que o objetivo era direcionar o ar para resfriar o pneu traseiro. Desde então, o assunto tem ido de um lado para o outro, com o piloto de fábrica Danilo Petrucci dizendo, não oficialmente, que não é para esfriar, e o diretor esportivo da Ducati, Paolo Ciabatti, dizendo que é. As equipes protestantes afirmam que querem esclarecer “de uma vez por todas” se o dispositivo tem ou não um efeito aerodinâmico ou propósito.

A Ducati oficialmente nega que seja uma peça aerodinâmica, alegando que o defletor tem a única função de resfriar o pneu traseiro e que o item em questão está de acordo com um boletim enviado pelo diretor técnico da FIM Danny Aldridge em 2 de março (leia a matéria completa aqui no blog).

O presidente da Aprilia Racing, Massimo Rivola, explicou as razões por trás da ação.

“Em primeiro lugar, gostaria de felicitar a Ducati e Dovizioso pela excelente vitória”, diz Rivola, “mas as regras precisam ser claras”. “Sabemos que todo dispositivo nessa área é crucial pelo seu efeito aerodinâmico. É uma área que podemos extrair desempenho e, na verdade, apresentamos um projeto semelhante ao Danny Aldridge, diretor técnico da FIM. Mas em 19 de fevereiro nosso projeto foi negado com a explicação de que o dispositivo poderia ser usado apenas em condições de chuva. Por essa razão, paramos o desenvolvimento.”

O dispositivo utilizado pela Ducati é diferente do defletor de água utilizado pela Yamaha em Valência?

“Em novembro passado, a Yamaha usou um defletor de água acoplado ao braço oscilante que foi considerado legal por razões de segurança. Na ocasião do teste do Catar em fevereiro (23–25), a Ducati testou na moto de Miller um dispositivo que era mais que um defletor de água, era um triplano; que, por definição, tem um efeito aerodinâmico. Foi curioso que, uma semana depois, precisamente no dia 2 de março, o delegado técnico tenha enviado um esclarecimento técnico sobre essa parte, informando o tamanho e o uso do dispositivo, especificando que ele não foi criado para gerar carga aerodinâmica. O fato é que nessa área, ou melhor, na frente da roda traseira, o ar flui muito rápido e, quanto mais rápido o ar, até uma pequena asa é suficiente para gerar carga.”

Quais são as regras técnicas em termos de aerodinâmica?

“Para reduzir a escalada de custos na aerodinâmica que assistimos hoje na Fórmula 1, o MotoGP tomou uma direção clara para limitar esses excessos. Os regulamentos limitam a um total de dois pacotes de aerodinâmica que podem ser homologados por temporada, geralmente um no início e depois uma atualização. A área do braço oscilante está livre para desenvolvimento, mas para propósitos que não estão relacionados a um efeito aerodinâmico.”

O que aconteceu durante o fim de semana da corrida do Catar?

“Quando vimos que o Miller estava usando o defletor triplano nos treinos, falei com Gigi Dall’Igna informando que iríamos apresentar um protesto se ele fosse usar na corrida. Na corrida não uma, mas todas as três motos de fábrica foram equipadas com ele. Então fizemos isso junto com Honda, KTM e Suzuki. A decisão tomada no local pelos representantes da FIM rejeitando nosso protesto foi política (porque Aldridge era a mesma pessoa que havia enviado as informações para a equipe em março). Não é só isso, esse desvio é contra o espírito das regras. As novas regras aerodinâmicas foram feitas de fato para reduzir os custos de desenvolvimento”.

A ação contra o defletor da Ducati não é uma questão que pode ser respondida facilmente, de maneira que podemos ficar falando sobre ela até ficarmos cansado. As equipes que protestaram variadamente não gostaram do dispositivo da Ducati porque poderá abrir um precedente que pode levar a coisas que eles irão gostar menos ainda.

Pode a Ducati argumentar que o dispositivo deve ser julgado por suas intenções no desenvolvimento, e não por seus possíveis efeitos desconhecidos? O tribunal de recursos da FIM considerará as evidências reais, como as atas de reuniões internas da Ducati ou e-mails internos que mostrem a razão original pretendida para o desenvolvimento deste dispositivo? Ou será que vai se transformar em algo vago, enquanto defensores profissionais dos dois lados trabalham para persuadir os juízes da FIM a extrair significados definido dentro do “espírito dos regulamentos”?

O que ficou claro para nós da declaração acima é que “o espírito dos regulamentos só existe no céu e as palavras textuais marcam “apenas” a lei”.

# Referências:

  • GPOne.com/it
  • Speedweek.com
  • Motosan.com/es
  • Maria Guidotti
  • Mundo Deportivo.com