MotoGP: Reflexões e uma novidade.

Márquez assumiu a liderança do campeonato e estamos indo agora para Austin. Ele nunca foi derrotado em uma corrida de MotoGP em solo americano. A história diz que Marc voltará para a Europa com uma vantagem maior do que a atual. Isso o coloca em boa posição para conquistar mais um Campeonato. Onde estão aqueles que disseram que o espanhol iria precisar de seis corridas para entrar em forma? Pouco antes de subir ao pódio, Valentino Rossi estendeu a mão dando parabéns ao vencedor, e todos aplaudiram o gesto cordial do italiano. Na passagem por São Paulo, Marc declarou: “Qualquer coisa que envolve Valentino cresce rapidamente porque ele é o piloto mais midiático do grid”.

Se o vencedor da corrida era previsível, a batalha por trás dele foi soberba. Durante a maior parte da corrida, de cinco a oito pilotos lutaram pelo pódio. Há muitas maneiras de pilotar rápido o circuito Termas De Rio Hondo, e a batalha pelo segundo lugar revelou isso. Em lugares como a curva 7, curva 13, foi possível ver uma variedade de traçados, todos funcionando. Termas é uma ótima pista e que não é utilizada com frequência por outras modalidades esportivas.

Quão perto estavam as fábricas? Todos os seis fabricantes terminaram entre os dez primeiros, embora houvesse um elemento de sorte envolvido. Se Franco Morbidelli não eliminasse Maverick Viñales – um incidente de corrida, como Viñales o caracterizou, nenhuma maldade pretendida – então seriam seis fabricantes entre os doze primeiros. E de Valentino Rossi em segundo para Pol Espargaró em décimo, havia menos de 16 segundos. Esse foi um campo apertado.

Valentino Rossi demonstrou o valor de uma sólida posição de qualificação. Depois de uma excelente corrida no Catar, prejudicado pelo fato de ter largado em 14º, sua posição na segunda linha do grid colocou-o numa situação muito melhor para voltar ao pódio pela primeira vez desde Sachsenring no ano passado. “Foi crucial”, disse Rossi na conferência de imprensa. “A qualificação é sempre muito difícil porque na verdade todos são capazes de usar o pneu e a moto em 120% durante uma volta. Se fizer 110%, você está na terceira linha. Então, sair a partir da segunda linha no grid é muito melhor, porque chego pronto, chego pronto para a corrida porque já tenho bom ritmo.”

Rossi mostrou também paciência e experiência, duas das qualidades mais valiosas para um piloto de moto. Valentino sabia que a sua melhor chance de um pódio era atacar no final, e não dar a Andrea Dovizioso a chance de usar a potência da Ducati para revidar. Rossi esperou, calculou o momento certo e ficou em segundo.

Foi uma boa corrida para a Yamaha no geral. Haveria quatro Yamahas no top dez se Franco Morbidelli não tivesse batido a roda traseira da moto de Maverick Viñales na última volta. Apesar dos problemas com a aderência traseira, a Yamaha M1 foi competitiva.

Andrea Dovizioso mostrou que ele é o mestre de controlar uma corrida. Quando ele viu que não tinha chance de igualar ao ritmo de Marc Márquez, Dovizioso controlou a corrida, garantindo que ele estivesse sempre na frente ou perto do grupo líder. Ele sabia que Rossi atacaria e sabia que havia pouco que pudesse fazer a respeito. Mas também sabia que um pódio era vital em uma pista onde a Ducati lutou no passado.

“No ano passado, eu estava pelo menos um segundo mais lento do que andei hoje”, disse Dovizioso. “Penso que a nossa melhoria é enorme e é por isso que o alvo foi o pódio, e conseguimos. Temos que estar muito felizes com isso. Não é suficiente porque lutamos com grandes pilotos, mas acho que a nossa velocidade está boa e eu fiquei constantemente em segundo”. Se a Ducati está rápida em Termas, uma pista onde eles lutaram no passado, “isso é um bom presságio para outras pistas rápidas e fluidas onde lutamos, como Phillip Island.”

Há uma séria batalha para 2020 entre os pilotos da Ducati. O lugar de Andrea Dovizioso é seguro, mas Danilo Petrucci assinou um contrato de um ano com a fábrica, enquanto os dois pilotos da Pramac Ducati estão à procura do seu lugar. Jack Miller derrotou Petrucci na Argentina e foi consistentemente rápido. A atração por um assento de fábrica está comprimindo mentes, tanto a de Miller quanto a de Petrucci.

Maverick Viñales é um caso curioso mais uma vez. Ele teve um começo ruim, admitiu, mas fez algumas ultrapassagens agressivas e conseguiu lutar. Mas não teve aderência no pneu traseiro; parecia que o pneu já tinha 20 voltas, disse ele. No warm up da manhã, ele fez um 1’39.2, mas conseguiu apenas 1’40.1 durante a corrida. Onde ele perdeu 0,9 segundo por volta, o resto do campo ficou cerca de meio segundo mais lento. Em outras palavras, quando está sozinho e consegue andar no seu traçado ideal, ele vai bem. Quando está envolvido em disputas com outros pilotos, nitidamente seu rendimento cai…

A novidade: A MSMA – associação dos fabricantes de motocicletas esportivas – resolve a crise do Aero dividindo a classe de MotoGP em duas.

Após as últimas três semanas terem sido polêmicas em relação aos apêndices aerodinâmicos, foi alcançado um compromisso entre os fabricantes envolvidos no MotoGP. Em uma reunião da MSMA em Termas De Rio Hondo, na Argentina, no domingo, os seis fabricantes concordaram com um novo formato para o MotoGP, que permitiria tanto aos oponentes quanto aos defensores da aerodinâmica conseguir o que eles querem da série.

A proposta, que ainda está para ser colocada na Comissão do Grande Prêmio, veria o campeonato de MotoGP dividido em dois, a classe a correr duas vezes, com e sem carenagem aerodinâmica. A partir do próximo ano, se a proposta for aprovada, o MotoGP vai receber duas corridas todos os domingos: uma para o Campeonato de MotoGP Aero e outra para o Campeonato Plain de MotoGP.

Crucialmente, as motos para ambos serão idênticas. No início da temporada, os fabricantes vão homologar suas motos e carenagens como antes, mas também terão que homologar duas carenagens diferentes: uma com anexos aerodinâmicos e outra sem. Mas as regras da aerodinâmica serão muito mais livres, com o retorno de asas reais.

A Dorna é amplamente defensora da proposta, pois vê uma oportunidade de expandir o público para o MotoGP e uma melhor maneira de diferenciar os campeonatos de MotoGP e WorldSBK. Ao abrir o Campeonato de MotoGP Aero para o regresso das asas, as motos serão muito menos parecidas com as motos de produção em que a série WorldSBK se baseia.

Enfim, estou um pouco cético com relação a essa proposta…