Afinal a Panigale V4R é mesmo um protótipo da MotoGP?

Essa semana assistimos reclamações por parte da Kawasaki alegando que está havendo uma concorrência desleal no Mundial de Superbikes, tal reclamação se deve ao fato de que a Ducati ter saído vencedora nas 11 etapas disputadas no mundial até o momento, inclusive tendo atingido a incrível marca de 350 vitórias na categoria e terminou o fim de semana obtendo seu exito de número 352.

A declaração foi dada pelo Sr Ichiro Yoda, um dos designers da Kawasaki, segundo o próprio:

“É muito difícil bater esta Ducati, neste momento. Estamos a competir contra uma moto derivada do MotoGP. A Panigale V4 é, para todos os efeitos é uma MotoGP, a única diferença é que tem pneus Pirelli em vez de Michelin. Mesmo que pudéssemos ter concessões no futuro não iríamos conseguir reduzir a diferença. A única solução que temos para o ano passa por construirmos uma Kawasaki similar a uma MotoGP como fez a Ducati. Por isso temos de considerar a construção de uma superbike extrema que seja produzida numa série reduzida, creio que 500 unidades é um número realista para nós.”

Estamos assistindo a um domínio nunca antes visto na história da categoria, a qual um piloto (Alvaro Baustista) e sua respectiva moto (Ducati Panigale V4R), superarem todos os recordes possíveis até então na categoria.

Mas o que faz a nova Panigale ser tão superior?
A nova Panigale V4R foi lançada próximo ao início do Salão de Milão EICMA edição 2018, em um total de 1500 unidades e é sucesso absoluto. Municiada por um propulsor V4 de 90° de 998cm3 de cilindrada gera 224cv alcançando torque de 11,5 kgfm em apenas 172kg, no entanto, com kit racing a potência chega aos 234cv em apenas 165,5kg. Quer dizer, somente 5,5kg acima do peso oficial de um protótipo da MotoGP, uma relação peso potência 0,70 kg/cv, ou seja, um monstro, algo semelhante a potência da moto que Casey Stoner conquistou o título de 2007 na MotoGP.

A reclamação faz sentido?

Se analisarmos de foram totalmente imparcial, a moto vendida com o kit racing, conforme já foi citado, em o que se transforma após ser preparada para pista pela equipe oficial Ducati?

Em um protótipo, simples assim!!!

A Ducati infringiu alguma regra ou regulamento? Existe alguma regra comercial que impeça a de vender uma moto diretamente derivada da MotoGP?
Obviamente não, ela criou a moto e colocou 1500 unidades a venda cumprido todas as determinações para que o modelo fosse homologado para disputar o WSBK, logo, não há o que reclamar os demais fabricantes que busquem ao menos minimizar o prejuízo, lançado algum modelo a altura ou o mais próximo possível da moto italiana.

A nova Panigale V4R é superior a tudo que se viu até hoje em termos de motocicletas Superbikes, e obviamente, não foi criada de um ano para outro, um projeto desses leva no mínimo 2 anos para ficar pronto, logo, o horizonte para 2020 ao que parece, não será muito diferente do panorama que estamos vendo esse ano pela marca de Borgo Panigale.

Em 2021 entrará em vigor a norma Euro5 e todos os fabricantes terão que se adaptar e se adequar a essas novas normas se quiserem cumprir os parâmetros exigidos e ao mesmo tempo criarem motos competitivas para o mercado e obviamente para disputa do WSBK.

A Yamaha embora não tenha anunciado oficialmente, ao que parece prepara a 4° geração da R1 a ser lançada em 2020 já visando atender as normas Euro 5, e segundo rumores, seu motor será equipado com comando de válvulas variável já em uso pelas atuais Suzuki GSX-R 1000 e BMW 1000RR.

Da Honda se tem também apenas rumores de uma Superesportiva V4, pode ser que seja verdade pois como já foi citado, todas os fabricantes terão de se adaptar as normas Euro 5 e a cansada CBR1000 RR já atingiu limite de desenvolvimento, afinal são 26 anos de Fireblade, desde a lendária CBR 900 RR lançada em 1993.

A Aprilia e a Suzuki após canalizarem suas forças para a MotoGP abandonaram o WSBK, a KTM aparentemente não demonstra interesse em entrar na categoria, a BMW poderia tentar investir mais forte na categoria, mas não utiliza nem mesmo sua versão mais radical a belíssima HP4 e a outrora lendária MvAgusta hoje mais parece uma fabrica de fundo de quintal se comparada as demais fabricantes.

Será que os fabricantes estarão dispostos a acompanhar a Ducati e investir pesado em modelos tão radicais?
Em uma época que as vendas das Nakeds e Super Nakeds crescem a cada dia no mundo, pois também são bastante potentes com diferencial da facilidade e conforto em seu uso no dia a dia, todavia, sem o radicalismo na posição de pilotagem de uma Superbike, com isso, parece ao menos em um primeiro momento, que os demais fabricantes não irão fazer algo tão radical quanto fez a Ducati, mas neste caso podemos apenas especular.

O porque da choradeira da Kawasaki?

Simples, porque dificilmente conseguirá fabricar uma nova versão de sua ZX-10RR ou outro modelo de um ano para o outro, e há outro agravante para marca, não tem um modelo de referência na MotoGP, pois já saiu da categoria a bastante tempo, desde de 2008 com o italiano Marco Melandri e o norte americano John Hopkins, além de não ter intenção de retornar a MotoGP segundo também declaração do Sr Ichiro Yoda ao site Speedweek.

“ A MotoGP é demasiado caro para a Kawasaki, é uma decisão financeira da nossa parte. Custa pelo menos dez vezes mais do que o SBK. Para o MotoGP, são necessários 60 ou 70 milhões de euros por ano, a Honda gasta 100 milhões. O quinto lugar não interessa à gestão de topo da Kawasaki. Esperam vitórias, independentemente da categoria. É por isso que o Mundial de Superbike faz mais sentido para a Kawasaki de um ponto de vista financeiro.”

Para superar a nova Panigale somente outro “protótipo”?

Não necessariamente, mas sejamos sinceros é bastante difícil, pois a Panigale V4R é a referência, o parâmetro pela qual as demais motos serão comparadas.

Esta é a contribuição do leitor e amigo Leonardo Passos, obrigado Leo !!!