O que a Honda testou após a corrida de Barcelona?

 

O que Marc Márquez testou?

Para a Honda, o trabalho para 2020 incluiu testes de peças a partir de 2018. Enquanto Takaaki Nakagami testava a RC913V 2019 de Cal Crutchlow, Marc Márquez pilotava uma moto híbrida 2019 com peças da carenagem de Nakagami. “A HRC fez uma mistura de coisas para tentar entender a direção a ser tomada para o futuro, e basicamente uma das partes foi a carenagem de Nakagami. Testamos um mix diferente de 2018 e 2019 para entender o caminho.”

Uma das coisas que Márquez estava testando para o futuro foi uma estrutura parcialmente coberta de carbono (figura acima). Ela é semelhante ao chassis usado por Stefan Bradl em Jerez e em Barcelona, mas com a diferença de que a fibra de carbono foi aplicada apenas na parte superior do quadro, em vez no quadro inteiro. A ideia por trás do uso de fibra de carbono firmemente ligada à estrutura é modificar a rigidez rapidamente e com custos relativamente baixos. O quadro usado por Márquez é o mesmo do protótipo de Bradl, com uma longa seção afundada no meio da longarina superior. É diferente do chassis padrão usado pelos pilotos da Honda.

Márquez permaneceu vago sobre o feedback do chassi, contornando a questão em suas respostas. Ele não descartou usá-lo, ou algo derivado dele, antes do final da temporada. “Trabalhamos um pouco para 2020, procurando encontrar a direção correta para a nova moto, mas também para a segunda parte da temporada com o novo chassi”.

Mas primeiro Márquez quer ter a certeza de que o novo chassi será uma melhoria em relação ao que ele usou para vencer quatro das primeiras sete corridas. Pode ser um risco mudar agora para um chassi não comprovado, a menos que ele esteja absolutamente certo de que é melhor que o seu quadro atual. “Precisamos ter uma reunião, mas o chassi ainda precisa ser entendido”, disse Márquez. “Porque quando você se sente bem, quando se sente pronto, enquanto estiver vencendo corridas, fazer uma grande mudança, precisa ser paciente. Talvez seja melhor repetir o teste em outro circuito.”

No entanto,ele não o descartou completamente. “Vamos ver em Assen. Vamos chegar lá, e talvez estejamos em uma posição que possamos testar. Mas precisamos ser pacientes e tentar entender bem.”

Comparando o feedback de Márquez desde a primeira vez que experimentou o chassis no teste de Jerez, em maio, ele ficou muito mais positivo após o teste de Barcelona. Em Jerez, ele havia dito que achava que o chassi tinha alguns aspectos positivos, mas o teste era principalmente para ter uma ideia da direção do desenvolvimento. “Entendemos muitas coisas e foi apenas para dar os primeiros comentários à HRC”, disse Márquez na época. Em junho, ele pareceu muito mais aberto ao uso do novo chassi.

Márquez também testou a aerodinâmica, com uma variedade de pacotes incluindo peças retiradas da moto de Nakagami. “Testamos novas coisas aerodinâmicas, a colher, e também testamos diferentes coisas aerodinâmicas para o futuro, porque temos a chance de homologar outra carenagem”, disse ele. “É hora de continuar melhorando, porque com certeza os outros fabricantes vão melhorar.”

O objetivo das novas atualizações aerodinâmicas é reduzir a quantidade de wheelie que eles tinham, disse o campeão. “Claro, quando você tenta outras coisas aerodinâmicas, você está procurando menos wheelie, mas também não quer perder a velocidade máxima. Então as asas são muito semelhantes. Elas são muito parecidas com as que eu uso, mas com formato diferente. Basicamente eu fiz apenas duas corridas para obter informações e optar pela asa padrão.”

O que Jorge Lorenzo testou?

O teste de Jorge Lorenzo em Barcelona começou com muito menos sucesso. O piloto da Repsol Honda conseguiu cair com a sua moto na curva 8. A moto acabou por rodar no cascalho e virou para uma parede de pneus, com Lorenzo terminando na cerca. Foi um acidente grande e doloroso que deixou Lorenzo preocupado com lesões. “Muito doloroso”, disse o espanhol.

“Eu tenho muita dor. Especialmente nas minhas costas, mas também cotovelo e em alguns dedos que eu feri em Aragão no ano passado. Não foi um “highside”, eu só perdi a frente, mas a uma velocidade muito alta e com essas motos quando isso acontece você entra no cascalho de forma rápida e a área de escoamento em alguns dos cantos aqui é muito pequena. O cascalho não parou meu corpo e eu bati na cerca de ar.”

Felizmente para Lorenzo, ele escapou sem ferimentos graves, apesar de estar machucado. “Eu estava com muito medo porque senti uma dor nas costas, mas fiz todos os exames, e a radiografia revelou que nada foi quebrado. Então eu pude pilotar de novo a moto até sentir muita dor, ficando sem a possibilidade de empurrar  até o final do teste. Foi importante pelo menos testar todas as coisas que temos no cronograma para dar informações sobre como melhorar a moto para os engenheiros “.

Seu acidente prejudicou seu programa de testes, tornando difícil para ele empurrar e ser agressivo na moto. Mas ele conseguiu testar mais algumas das partes ergonômicas que a HRC trouxe para o Barcelona depois da visita de Lorenzo ao Japão. “Algumas das coisas que testamos hoje serão mais para o futuro, para o próximo ano”, disse ele. “Mas a maioria delas é para as próximas corridas e considerando a reunião que tivemos no Japão, eu tenho que dizer que a Honda trabalhou muito rápido. Fiquei realmente surpreso com a capacidade e com a velocidade de me trouxeram essas novas peças e algumas delas são muito boas. Então estou feliz por isso.”

O que Cal Crutchlow testou?

Cal Crutchlow passou um tempo comparando uma configuração de moto muito diferente com a configuração que ele normalmente corre. Apesar de ser uma comparação útil, ele acabou realizando os tempos de volta muito semelhantes com ambas as configurações. A nova configuração fez com que a moto ficasse um pouco menos física, mas Crutchlow ainda prefere a moto com sua configuração habitual de corrida. “A minha moto normal que eu mais gosto é a que usa mais energia porque é mais difícil mudar de direção.”

“Aqui, num circuito como este, não foi tão mau, ou tão difícil mas em Mugello saberei. Você pode mudar toda a moto e ainda assim conseguir fazer o mesmo tempo de volta e ainda ter um sentimento parecido. Temos que continuar avaliando isso, mas não haverá solução rápida.”

Crutchlow ficou de boca fechada sobre exatamente o que ele havia testado, ou como ele se sentiu sobre as peças que testou. O piloto da LCR Honda seguiu instruções muito rigorosas da HRC para dizer o mínimo possível. Ele foi até vago sobre a versão modificada do pacote aerodinâmico, com as asas inferiores muito mais proeminentes (figura acima), reconhecendo apenas que ele havia testado.

Crutchlow queria mais sensibilidade na frente ou mais dirigibilidade? “Ambas!” o piloto da LCR Honda respondeu. “50-50. A moto é difícil de pilotar, como sempre foi. Tudo o que você tem que fazer é assistir a TV. Mas eles [Honda] sabem disso e isso não significa que há uma solução rápida para o problema. É uma combinação de muitas coisas, eu penso, e a coisa que pode ser melhorada primeiro é a virada mas isso também ajudará com a fisicalidade porque estamos forçando a moto a girar quando estamos mudando de direção, então se ela girar mais facilmente, ela inclinará na curva um pouco mais.”

Comparando o feedback de Takaaki Nakagami

Enquanto Marc Márquez estava testando partes da carenagem de Takaaki Nakagami, o piloto japonês teve a chance de testar a Honda RC213V de 2019 pertencente ao seu companheiro de equipe da LCR Honda. O teste serviu a dois propósitos: em parte, como uma recompensa por ter tido um começo forte na temporada; mas mais importante, o estilo de Nakagami é muito parecido com o de Jorge Lorenzo – muita velocidade nas curvas – e por isso a Honda estava interessada em obter o feedback do piloto da LCR Honda na nova moto, para o comparar com o de Lorenzo.

“Primeiro de tudo, um teste muito importante para nós porque acho que todos sabem que testamos uma moto de 2019, que é a de Cal, à tarde”, disse Nakagami no final do dia. “Apenas três ou quatro voltas. A HRC me pediu para testar e foi positivo. Durante a temporada nós lutamos com a Honda de fábrica, então eu vi a diferença e hoje tivemos chance de pular para esta moto. Foi muito positivo e achei bom o pacote. Agradeço à HRC por esta oportunidade. Estou muito feliz por terminar o fim de semana assim, até mesmo com a moto ’18, que é a minha moto, e com a bike 19, os tempos de volta foram muito bons.”